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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sobre a greve docente e discente das UEBA´s


Profº Ms. Marcelo Torreão Sá


Caros colegas,

Questionar a greve é um ato revolucionário. A greve que hora está posta é patronal. Beneficia o governo fascista dos PTs (os "Porras Tontas"). Sei que tem muitos companheiros engajados, que querem melhoria para as Universidades Estaduais da Bahia (UEBA) e que estão no movimento por que acreditam. Mas venho, por meio deste texto, chamar os companheiros para uma nova forma de greve. A guerrilha de trincheira.

A primeira pergunta que nos inquieta nessa greve é responder a questão: Qual é a pressão política econômica que o Governador Wagner sofre em uma greve que não atravanca o capital em seu processo de reprodução?

Deve-se entender, primeiramente, que vivemos em um sistema dividido entre classes em conflitos. O que faz o Estado burguês negociar com os trabalhadores é a paralisação da circulação do capital. Correto? Sendo assim, qual é nossa pressão política econômica que nós docentes exercemos no governo? Quase nenhuma, em curto prazo, em localidades esquecidas pelo desenvolvimento capitalista do interior baiano devido ao baixo quantitativo de professores (que em sua grande maioria não mora nas cidades), alunos e funcionários; quase insignificante em cidades em que a universidade não modifica sobremaneira a política econômica local, devido à própria potência do desenvolvimento capitalista. Por outro lado, e contraditoriamente, devemos pontuar que a universidade pública proporciona, sim, desenvolvimento capitalista em diferentes formas de quantidades, qualidades e modalidades se não, não existiria a necessidade de universidades no sistema capitalista.

Além de ser um aparelho ideológico da burguesia a universidade pública proporciona duas frentes no processo de desenvolvimento capitalista de uma cidade. Sendo diferente na forma, no conteúdo, no tempo e no espaço. Temos a modalidade de investimento, se assim podemos dividir, de curto prazo e de longo prazo.

Em curto prazo a universidade pública proporciona:

1.      o consumo de bens e serviços dos estudantes, professores, funcionários e, também, nos serviços e bens necessários à manutenção das instalações do Campus universitário. Ou seja, a benfeitoria para o capital, em curto prazo, proporcionado pela universidade pública, em uma dada região, dependendo das variáveis postas na pesquisa, é centrada principalmente na atração demográfica: professores, funcionários e alunos. Sendo que os dois primeiros são remunerados pelo estado e o terceiro, poucos, recebem ajuda de permanência. Em algumas localidades da UNEB, por exemplo, de um total de 58 professores do quadro apenas 6 moram na cidade. Isso reduz ainda mais o impacto de uma paralisação docente para a cidade, haja vista que essa categoria é a mais bem remunerada.

Em longo prazo a benfeitoria para o capital está voltada, principalmente, para as seguintes variáveis:

1.      formação dos trabalhadores para o sistema de trabalho em quantidade e qualidade que ocasiona, com isso, a baixa dos salários por superacumulação da força de trabalho em determinada área;
2.      novas formas de ciência e tecnologia, proporcionando mais valia relativa para o capitalista;
3.      valorização da renda da terra urbana nas proximidades do Campus universitário.

Então devemos entender que a universidade, como reprodutora da lógica capitalista é importante para a concorrência intraurbana no capitalismo em longo prazo, principalmente. Em curto prazo, devido às lógicas particulares de cada Campus pode variar em intensidades. No entanto, esse impacto não abala as estruturas das cidades. Se abalasse já haveria reclamações e pressões da burguesia local e da sociedade como um todo. O que vemos nesses 40 dias de greve é a vida continuar em sua ‘santa’ normalidade, apenas com ventos esporádicos, em diferentes cidades com diferentes estágios no desenvolvimento capitalista, como: Jequié, Vitória da Conquista, Feira de Santana, Serrinha, Salvador. 

Devemos entender que nossa paralisação é quase despercebida pela sociedade local. A vida continua e a greve se desfaz. Quem lucra é o Estado diminuído o custeio de água, luz, material de limpeza, gasolina, telefone, manutenção. Fora o seqüestro do salário dos professores. Vamos pensar bem: quanto o governo não estará lucrando com a retenção dos salários? E com a diminuição do custeio? É o caixa dois, companheiros, é economia de campanha.

Então vem a segunda pergunta. Por que fazer uma greve pós eleição para governador e presidente?

Acho que essa é a grande pergunta que só poderia ser respondida se houvesse traição no governo fascista do PT baiano. Sabemos, no entanto, que na política econômica do capitalismo que a volumosa voz vem da grande mídia. E que a memória do brasileiro é curta e rapidamente transformada pela mídia imperialista por copas e circos de ocasiões. Então para que serve uma greve pós eleição? 

Se essa greve não terá repercussão na próxima eleição, como a história nos indica, nossa única arma de força, a pressão eleitoreira, vai se esvair com o tempo. E os asseclas que ora falam misérias contra o governo fascista do PT estarão panfletando com seus emblemas fascistas dentro da universidade pública, pois lá é o curral eleitoral deles.

Será que essa greve não teria o objetivo espúrio e doentio de tampar o rombo nos cofres públicos da Bahia? Lembramos que a Bahia, no ano passado - ano de eleição - era o único Estado com poder econômico, do partido dos mensaleiros. 

Porque deflagramos greve só nesse ano, pós eleitoral? Por que? Ora porque, grande parte dos nossos, falo de todas as UEBA, sindicatos são compostos por aliados, ex-aliados, simpatizantes ou em sua maioria de gente que votou e vota no PT. 

Vamos propor uma greve de guerrilha. Por que não instituir uma greve "branca"? Pára, volta, pára volta. Ou outras modalidades em que não se interrompa a aula por completo e, com isso, o movimento não seja desaparelhado por brigas internas e dispersão do contingente de alunos e professores com o passar dos dias? Por que não parar as BR's e BA's com as aulas em curso? Podemos utilizar os próprios aparelhos da universidade pública (ônibus, carros) para interromper o trafego. Vamos sabotar, emperrar, o capital em sua reprodução. É a única forma de sermos ouvidos e atendido em nossas reivindicações.

Porque continuar com a greve se é o que o governador quer? Ou não é esse o objetivo do governo em forçar uma greve docente. Diminuir custeio e reter salário. Forçar sim. Se percebermos bem, a clausura da mordaça foi imposta pós eleição. E o Decreto 12.583 no inicio do ano de 2011. Por que, o resto das reivindicações vem de tempos atrás. A luta por:

  1. revogação da Lei 7176/96;
  2. política econômica de permanência estudantil nos cursos.
  3. progressão na carreira docente;
  4. concursos para docentes;
  5. contra a ingerência nas UEBA por parte do governo;
  6. contra a contenção de gastos em equipamentos, livros, infraestrutura, etc;
Nunca, nenhuma dessas reivindicações foram atendidas em sua plenitude. A melhoria das condições de ensino, pesquisa e extensão dentro das UEBA sempre foram maquiadas, enganadas e utilizada, isso sim, como ganho econômico político aos dirigentes das UEBA para se canditarem a cargos eletivos ou indicativos; as elites locais; e aos governos burgueses seja ele de direita ou esquerda, azul ou vermelho. Na verdade os dois são cinzas, a cor da burguesia, a cor de nossas cidades.

Entendemos, por fim, que a greve é: justa, ineficaz, fora do tempo e, porque não, coordenada por simpatizantes desse partido fascista que assaltou e assalta os cofres públicos enriquecendo seus simpatizantes e asseclas de plantão.

Por uma outra greve. Por uma outra mobilização. Fora a greve patronal. Por uma greve de guerrilha, uma guerra de sabotagem contra o Estado Burgues.